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Projeto de pesquisa e extensão da Unifesspa reconhece e valoriza a presença feminina nas engenharias

O Harpias é uma das iniciativas do “Conversa entre Meninas e Engenheiras: construindo redes”, aprovado em uma chamada nacional do CNPq.

Por Ascom Fundação Guamá/Imagem: Divulgação

Um projeto de pesquisa e extensão da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) tem por objetivo estimular o ingresso, a permanência e a ascensão de mulheres nas engenharias. Coordenada pelas professoras Marina Costa e Rafaela Silveira, a iniciativa promove na próxima terça-feira, 2 de junho, a partir das 7h30, no Campus Marabá Unidade II, o III Dia Internacional da Mulher na Engenharia.

Criado para celebrar as profissionais que conseguem ingressar na área e também para chamar a atenção para o fato de que o público feminino ainda é minoria na profissão, o Dia Internacional da Mulher na Engenharia (DIME) foi criado pela Women’s Engineering Society (WES) do Reino Unido em 2014. “Não se trata apenas de uma minoria social, no sentido de passarmos por problemas devido a isso, mas também de uma minoria numérica. Na maior parte das engenharias, há menos mulheres do que homens. Embora em algumas áreas a situação já seja mais igualitária, de um modo geral, ainda existem mais homens”, explica Marina Costa, coordenadora do projeto.

Em 2024, das mais de 4.500 matrículas ativas na Unifesspa, 55% eram de mulheres, mas apenas 7% delas estavam nas engenharias. Foi justamente com a percepção desse baixo índice que o projeto Harpias, responsável pela organização do evento, foi criado. Além das 20 alunas que compõem a comissão organizadora, a ação conta com voluntárias e também com as bolsistas da equipe: três do ensino fundamental, nove do ensino médio e três do ensino superior.

“As bolsistas do ensino fundamental e médio participam de atividades específicas, como aulas semanais de reforço de matemática ou outras disciplinas para o Enem, além de visitas técnicas mensais aos laboratórios da universidade para maior engajamento. Já no ensino superior, as estudantes têm funções diferentes. Uma é a bolsista de extensão responsável pelas mídias sociais e pelo projeto ‘Harpias em Soluções Sustentáveis’. Outra é encarregada de ministrar aulas de reforço, organizar as visitas aos laboratórios e escrever trabalhos acadêmicos sobre essas atividades. A terceira atua dando apoio geral às outras duas de forma agregada ao projeto”, detalha a coordenadora.

Aprovado em 2022, o Harpias iniciou suas atividades no ano seguinte de forma totalmente autofinanciada. O cenário mudou em 2024, quando o grupo passou a integrar o projeto “Conversa entre Meninas e Engenheiras” – iniciativa que engloba seis universidades e que foi aprovada em uma chamada do CNPq, garantindo assim o custeio das bolsas para as alunas participantes.

O nome da iniciativa carrega um forte simbolismo regional e foi escolhido pelas próprias estudantes logo no início das atividades, em 2023. A inspiração vem da fauna local, como conta Marina: “O nome Harpias foi dado por uma das meninas e diz respeito a uma ave bem grande, tipo um gavião mesmo, que é comum aqui na região e cujas fêmeas são muito poderosas. Então, a nossa referência, na verdade, é essa ave enorme. É isso que o nome representa”.

III Dia Internacional das Mulheres na Engenharia

Como uma forma de celebrar o mês das mulheres na engenharia, dar visibilidade à presença feminina e promover a conscientização sobre a participação delas na área, o Harpias promove, na Unifesspa, o “III Dia Internacional das Mulheres na Engenharia”. Realizado na próxima semana, o enconctro não é exclusivo para o público feminino, mas sim uma ação voltada a dar destaque a ele. “Queremos que tanto os homens quanto as mulheres possam tê-las como referências profissionais, que vejam essas engenheiras impressionantes, escutem sobre as dificuldades que elas passam e nos ajudem a mudar essa realidade”, ressalta Marina, uma das organizadoras.

Além das seis universidades envolvidas, o evento conta com apoio de duas instituições privadas de Ciência e Tecnologia: a Fundação de Ciência e Tecnologia Guamá (FCTG) e o Instituto Sustentabilidade da Amazônia com Ciência e Inovação (iSACI). “Nós entendemos que por questões históricas da sociedade, o acesso do público feminino, não só as engenharias, mas mesmo a educação, é dificultado por questões estruturais que precisam ser vistas e modificadas. Então, mais uma vez a Fundação Guamá cumpre a sua missão de colaborar com a garantia do acesso e a democratização da ciência na Amazônia”, explica o professor João Weyl, diretor-presidente da FCTG. “O Instituto está comprometido com iniciativas que promovem ciência, tecnologia e inovação na Amazônia – especialmente aquelas voltadas à ampliação da presença feminina em áreas historicamente marcadas pela desigualdade de gênero”, completa o professor Cláudio Alex, diretor do iSACI.

A programação do evento foi pensada para abranger desde a inspiração profissional até o desenvolvimento prático. As atividades terão início com a apresentação dos projetos de engenharia da Unifesspa focados no empoderamento feminino. Em seguida, uma mesa-redonda reunirá engenheiras que já atuam no mercado de trabalho, criando um espaço para que o público conheça trajetórias reais e possa se espelhar nessas profissionais.

No período da tarde, ocorre a palestra de uma historiadora sobre a trajetória das mulheres na ciência. O objetivo é analisar, sob a ótica das ciências humanas, como ocorreu o processo de exclusão feminina no ambiente científico e debater estratégias de inclusão. O encerramento do evento ficará por conta de diversos minicursos, que transitarão entre temas científicos e artísticos, visando ao ensino de novas habilidades.

Apesar de ser um evento aberto a todos os públicos para dar visibilidade às engenheiras, a organização garantiu um momento de segurança e intimidade reservado estritamente às participantes, como pontua a coordenadora: “No meio do evento, haverá um único espaço exclusivo para mulheres: uma roda de conversa de acolhimento para discutirmos mais intimamente sobre onde precisamos de ajuda e como podemos nos apoiar”.

Serviço
O que: III Dia Internacional da Mulher na Engenharia – Unifesspa

Quando; 02 de junho, a partir das 8h

Onde: UNIFESSPA – Campus Marabá Unidade II – Marabá – Pará – Brasil

Inscrições gratuitas: https://www.even3.com.br/iii-dia-internacional-da-mulher-na-engenharia-unifesspa-734428/

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