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Cooperação Brasil-Rússia debate monitoramento climático em Belém

O encontro “Bico do Papagaio: um projeto apresentado há 200 anos” debateu a cooperação científica internacional para o monitoramento climático na Amazônia, com a participação de representantes do Brasil e da Rússia
Os professores Andrei Tolstikov, vice-reitor sênior da Universidade Estatal de Tyumen (UTMN), e Ruslan Proklov, vice-reitor adjunto da Universidade Estatal de Moscou Lomonosov (MSU) apresentam a expedição Langsdorff. Imagem: Camila Carvalho, Ascom Fundação Guamá.

Com a presença dos professores Andrei Tolstikov, vice-reitor sênior da Universidade Estatal de Tyumen (UTMN), Ruslan Proklov, vice-reitor adjunto da Universidade Estatal de Moscou Lomonosov (MSU), e Freud Romão, da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), a mesa ocorreu na última quinta-feira, no auditório do Espaço Inovação, no PCT Guamá, em Belém. O foco foi a criação da Estação de Monitoramento de Mudanças Climáticas do Bico do Papagaio.

Ruslan Proklof explica que a iniciativa do governo russo pretendia, inicialmente, atender às demandas impostas pela União Europeia no âmbito comercial. “Mas, por causa da mudança na situação política mundial, essa iniciativa, que antes visava a questões de créditos de carbono, mudou completamente; agora, o projeto possui um caráter estritamente científico”.

A proposta tem como finalidade a produção de dados ambientais, climáticos e socioecológicos na Amazônia Oriental e na área de transição entre Cerrado e Amazônia, com foco nos ciclos do carbono. “Investimos muito em nossa infraestrutura; várias universidades e órgãos da Academia de Ciências têm acesso a esses polígonos de carbono. Agora, a comunidade acadêmica da Rússia procura novas oportunidades para usar essa estrutura e aumentar o nível de conhecimento que podemos gerar, em parceria, para contribuir com o desenvolvimento sustentável do planeta”, explicou o vice-reitor, Ruslan.

Após a reunião no Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, os representantes devem consolidar um grupo de trabalho para a implantação da estação e adesão ao sistema internacional de monitoramento. “Nossos próximos passos são fortalecer essa parceria em rede com diversas entidades, a exemplo da própria Fundação Guamá, do Parque de Ciência e Tecnologia, da Unifespa e do INPA”, afirmou Airton Sieben, reitor da UFNT.

Para Sieben, esse processo de internacionalização permite envolver os centros regionais a partir da pesquisa, ensino e extensão. “Essas parcerias com universidades amazônicas, do Brasil e do mundo, fortalecem a produção científica local, integrando pesquisadores que, muitas vezes, estão desmotivados pela limitação de recursos e outras dificuldades”, afirmou o gestor.

Airton Sieben, reitor da UFNT. Imagem: Camila Carvalho, Ascom Fundação Guamá.

Articulação institucional

Principal hub de inovação da Amazônia, o PCT Guamá – que reúne empresas e laboratórios voltados ao desenvolvimento de tecnologias de impacto social – sediou a reunião nesta quinta-feira (19). Iniciativa do Governo do Pará, o parque tecnológico gerido pela Fundação Guamá será um dos eixos centrais da nova estação de monitoramento no Bico do Papagaio e integrará a rede internacional.

Professor João Weyl, diretor-presidente da Fundação Guamá. Imagem: Camila Carvalho, Ascom Fundação Guamá.

Para o professor João Weyl, sediar o evento reforça o papel da Fundação como Instituição de Ciência e Tecnologia (ICT) que busca o avanço da inovação na região. “Como ICT, a Fundação Guamá cumpre seu papel não apenas no apoio, mas no fomento a novas tecnologias sustentáveis, pensadas a partir do território em que está inserida, atendendo às demandas do presente e do futuro”.

Após a reunião que ocorreu durante toda a manhã, os participantes e expectadores do debate participaram de um almoço regional onde puderam conhecer um pouco da gastronomia paraense. Durante a tarde, todos participaram de uma visita ao ecossistema do Parque.

Expedição Langsdorff

O painel também resgatou o legado da Expedição Langsdorff, um dos maiores levantamentos científicos do Brasil no século XIX. O médico e naturalista alemão naturalizado russo, Georg Heinrich von Langsdorff, estabelecido no país em 1813 como cônsul-geral da Rússia, liderou uma das mais relevantes incursões científicas em solo brasileiro.

Com apoio financeiro do governo russo, Langsdorff organizou uma viagem exploratória que contou com nomes como o artista alemão Johann Moritz Rugendas, posteriormente substituído pelos franceses Hercule Florence e Aimé-Adrien Taunay. O grupo também incluiu o botânico Ludwig Riedel, o astrônomo Néster Rubtsov e o zoólogo Édouard Ménétries. A equipe navegou por rotas fluviais partindo de Porto Feliz (SP), em direção a Cuiabá e, finalmente, Belém.

A expedição percorreu aproximadamente 17 mil quilômetros. O material coletado contribuiu, inclusive, para a formação do herbário do Museu Nacional. Dois séculos depois, a coalizão internacional busca conectar essa experiência histórica a uma agenda contemporânea entre Brasil e Rússia, voltada à sustentabilidade, formação de quadros acadêmicos e desenvolvimento de políticas públicas ambientais.

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